Primeiro dia do Comunicart no auditório Ruy Barbosa da UNIFACS, Campus Tancredo Neves – Foto: Júlia Ma
Roda de conversa discutiu cultura baiana, ancestralidade e representatividade, marcando o início das atividades do evento
Por Júlia Apenburg Ma
Revisão Lucas Alencar
O Comunicarte iniciou suas atividades nesta terça-feira (3) com uma roda de conversa sobre os caminhos da cultura baiana e os desafios da representatividade no cenário artístico. Com o tema “Sinais do Futuro”, o encontro reuniu Dan Vasco, integrante do grupo Filhos de Jorge, e Raphael Maiffre, em um debate sobre a relação entre tradição, ancestralidade e inovação na produção cultural de Salvador.
Organizado pela professora Alice Lacerda, o evento contou com a participação de estudantes e professores, que acompanharam as discussões e participaram de um momento aberto para perguntas aos convidados.
A programação da manhã começou às 9h, com a abertura e apresentação das atividades. Em seguida, às 9h20, teve início o painel com os convidados, seguido de um momento de perguntas e respostas com a plateia, às 11h. O encerramento aconteceu às 11h30.
Sob o subtema “(Re)descobrir o passado para mudar o amanhã”, a conversa abordou as heranças culturais que atravessam a produção artística baiana e a responsabilidade de dialogar com essas referências.
Para Dan Vasco, a ancestralidade ocupa um papel fundamental na construção da música brasileira, mas também exige reflexão sobre as referências que são reproduzidas.
“Eu acredito que fazer música no Brasil sem pensar na base da ancestralidade é impossível. Carregar isso tem uma responsabilidade muito grande. No meio do caminho, entendi que devemos questionar essas bases. Nem todas as ideias precisam ter nosso aval, e dentro da cultura não é diferente”, afirmou.
Durante o encontro, Raphael Maiffre também destacou as transformações da cena cultural de Salvador e a importância dos profissionais que movimentam a produção artística na cidade.
“A Salvador que estamos vivendo hoje está muito diferente. Nós estamos fazendo a cena acontecer hoje”, afirmou Raphael.
Outro ponto discutido foi a relação entre cultura, política e democratização do acesso às manifestações artísticas. Para Raphael, esses temas não podem ser tratados de maneira isolada.
“Cultura é algo democrático. Todo mundo tem que consumir. Não tem como separar a política”, declarou.
A conversa também abordou os desafios de produzir cultura pop fora dos principais centros de circulação do mercado musical brasileiro. Segundo Raphael, apesar das dificuldades, Salvador possui um público expressivo e um cenário cultural em crescimento.
“Produzir cultura pop ainda é difícil em alguns estados, mas é algo que ainda está crescendo, e Salvador tem um público muito grande”, afirmou.
Ao longo do debate, os convidados também discutiram a importância da representatividade e da valorização da cultura negra na realização de grandes eventos. Dan Vasco citou o Afropunk como exemplo da presença e da força da cultura negra em Salvador.
“O AfroPunk é o maior evento de cultura negra que acontece aqui em Salvador, e queriam mudar para o sul, mas o próprio evento não quis mudar e sair de Salvador”, afirmou.
A roda de conversa marcou o início das atividades do Comunicarte, propondo uma reflexão sobre as referências que constroem a identidade cultural baiana e os caminhos para o futuro da produção artística na cidade.
