Foto: Trabalhos de conscientização no Centro Municipal de Referência LGBT+ Vida Bruno / Reprodução Redes Sociais
Centro Municipal de Referência completa 10 anos de atendimento à população LGBT na Bahia, com atuações focadas na proteção da diversidade de gênero
Por Gustavo Barreto
Revisão por Maria Fernanda Caribé
O Centro Municipal de Referência (CMR) LGBT+ Vida Bruno, localizado no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, é responsável por acolher e proteger os direitos da população de diversidade de gênero na Bahia. Seu nome carrega a homenagem a Bruno, um dos maiores ativistas da sigla no estado.
Conhecido por ser o primeiro centro de referência com atendimento exclusivo para a população LGBTQIAPN+, a organização oferece serviços de orientação psicossocial e assistência jurídica para a comunidade. O espaço fornece encaminhamentos personalizados para retificação de nome social, funcionando também como porta de entrada para o acesso a outras localidades, entre elas o Casarão da Diversidade e a Casa de Acolhimento Mariel Franco.
Inicialmente nomeado como Centro Municipal de Referência LGBT, a organização manteve esse nome até meados de junho de 2021, quando o prefeito de Salvador, Bruno Reis, assinou o Decreto nº 34.084/2021, que prevê o acréscimo do título “Vida Bruno” ao termo. A mudança visa homenagear o ativista baiano Vida Bruno, homem trans que faleceu após ser vítima de agressões motivadas por transfobia em um restaurante da capital baiana.

Além de ter sido um dos principais defensores dos direitos do povo LGBT na região, Vida Bruno também foi coordenador de serviço do CMR desde o início do funcionamento do local, em 2016. Por sua forte atuação e militância, o líder também é considerado um dos fundadores do Centro. Em uma publicação nas redes sociais, o Grupo Gay da Bahia classificou Vida como “sempre poeta” ao relembrar sua trajetória como candidato a Vereador de Salvador e militante trans.
Entre os amigos e apoiadores de Bruno, está Camile Nascimento, mulher trans e atual Conselheira Estadual LGBTQIAPN+ do estado da Bahia, que está há mais de 18 anos em ativismo pelos direitos da sigla no território baiano. Durante uma conferência realizada em Salvador, Camile conheceu Bruno. Segundo ela, ele ainda estava em transição e ainda não se reconhecia como homem trans naquele momento.
“Foi uma pessoa que sempre impulsionou, no sentido de, quando ele estava lá, ele sempre chamava a gente para conversar, ele sempre tentava ouvir as demandas, ele sempre anotava”, diz a ativista em referência ao amigo.
De acordo com Camile, Bruno também foi responsável por liderar um projeto para acompanhantes de programa na pandemia, contemplando cerca de 155 mulheres trans, travestis e homens trans em situação de rua. Por cerca de oito meses, a iniciativa forneceu mensalmente uma cesta básica para a população que necessitava dos mantimentos.
A ativista também chamou a atenção para as vulnerabilidades enfrentadas pelo público trans, dando ênfase na falta de recursos financeiros para suprir necessidades básicas, a exemplo da alimentação, transporte público para ir ao centro da cidade, e a formação de tensões e barreiras no acesso à saúde e emprego, devida à falta da utilização do nome social nos meios descritos.
Apesar de reconhecer a importância da organização, a ativista chamou a atenção para o funcionamento do espaço, que na sua análise carece de mais recursos em sua operação.

Camile ainda ressaltou que a entidade de fato pensa nos direitos humanos, mas ainda precisa ouvir mais a população para que os serviços possam chegar a todos, a fim de também potencializar novas vozes e agregar novas conquistas ao povo LGBT.
Em relação ao futuro, o legado atual tende a deixar marcas mais positivas para o grupo. “Potencializar, dizer que as pessoas LGBT são potentes e que de fato, nós tenhamos o direito de viver e de existir como a gente quer, e não o que a sociedade acha que a gente deve viver”, finaliza a ativista.
