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O preconceito e a desinformação sobre o Transtorno do Espectro Autista

Da Redação
22 de maio de 2026 No Comments
Jornalismo Salvador Saúde

Foto por Iolanda Maria

Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado

Por Iolanda Maria

Revisão por Kátia Borges

A falta de informação sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) segue como um dos principais desafios enfrentados por profissionais da saúde e da educação. O preconceito e a desinformação dificultam o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado, comprometendo o desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças.

A psicopedagoga Caroline Neves da clínica PsicoEduc localizada no bairro de Brotas, que atua no acolhimento e no desenvolvimento da aprendizagem de crianças e adolescentes, explica a diferença entre o trabalho da psicopedagogia e da psicologia no acompanhamento de crianças com autismo.

“Na psicopedagogia trabalhamos diferente com aprendizagem, investigando dificuldades e criando estratégias para desenvolver o processo cognitivo da criança. Tudo está interligado”, afirma.

Segundo Caroline, a psicologia atua principalmente no gerenciamento das emoções e no desenvolvimento comportamental da criança.

O autismo não é uma doença, mas uma condição neurodesenvolvimental que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento. Os sinais podem aparecer ainda nos primeiros anos de vida, geralmente entre os 2 e 3 anos. No entanto, muitos diagnósticos só são confirmados por neuropediatras a partir dos 5 anos de idade.

A especialista destaca que a escola e os acompanhamentos terapêuticos têm papel importante na identificação do TEA. Relatórios escolares, sessões de fonoaudiologia, psicologia e psicopedagogia ajudam na observação dos primeiros sinais.

Entre os comportamentos observados estão atraso na fala, dificuldade em compreender comandos, alterações na coordenação motora, dificuldade de interação social e repetição de comportamentos. Segundo Caroline, muitas vezes esses sinais são vistos como “mania” ou até motivo de brincadeiras, o que contribui para o preconceito.

“O comum é o adulto falar uma vez com a criança e ela compreender rapidamente. Algumas crianças com TEA precisam que os comandos sejam repetidos várias vezes”.

A psicopedagoga também ressalta a importância da participação da família no tratamento. Segundo ela, alguns pais ainda têm dificuldade em aceitar que a criança precisa de acompanhamento especializado, o que pode atrasar o desenvolvimento. Quanto mais cedo a criança iniciar o tratamento, melhores serão os resultados”, destaca.

Em outra entrevista, a psicóloga Gidalva Santos da clínica Multisaber PSI, no bairro Caminho de Areia, explicou que o espectro autista é dividido em níveis de suporte de 1 a 3. O nível 3 é considerado o mais severo, podendo apresentar sintomas mais intensos, como ausência de fala e maior dificuldade de interação.

Ela também comenta sobre ferramentas tecnológicas que auxiliam no desenvolvimento das crianças, como tablets adaptados para comunicação. Porém, o acesso a esses recursos ainda é limitado para muitas famílias devido ao custo alto.

Além dos desafios emocionais, muitas famílias enfrentam dificuldades financeiras para garantir acompanhamento especializado. Caroline orienta os responsáveis sobre instituições que oferecem atendimento gratuito ou apoio especializado.

Entre os locais citados estão a APAE, referência nacional em assistência a pessoas com deficiência, a ABRE localizada no bairro Vila Laura e o Centro Especializado em Reabilitação (CERII) em Cajazeiras.

Ela lamenta que, muitas vezes, o acesso a um tratamento de qualidade ainda dependa das condições financeiras das famílias.

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