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Mães do Arco-Íris: Coletivo acolhe e fortalece mães e familiares da população LGBTQIAPN+

Da Redação
10 de junho de 202610 de junho de 2026 No Comments
AVERA Jornalismo Salvador

Créditos: Acervo Pessoal

Grupo tem como luta transversal ao combate à LGBTfobia, racismo, capacitismo, machismo, sexismo, xenofobia e demais tipos de preconceito e exclusão sociais.

Por Vânia Santos de Jesus

Revisão por Maria Fernanda Caribé

O Coletivo Mães do Arco-íris fundado em 2018 por mães LGBTQIAPN+, atua na cidade de Salvador Bahia com o objetivo de promover a inclusão da População LGBTQIAPN+ e pela Defesa dos Direitos Humanos. Combatendo LGBTfobia, racismo, capacitismo, machismo, sexismo, xenofobia e todo tipo de preconceito e exclusão social.

Com a coordenação de Cristiane Sarmento, o coletivo tem projetos que ajudam a comunidade, como Bazar Mães do Arco-Íris; Respeite Meu Nome; Transformando Vidas; Mãos que Acolhem a Diversidade; Mulheres artesãs; Feira arte arco-íris; Brechó Mães do Arco-Íris; Formação: Colorindo a Mente e Escurecendo a Mente.

Na entrevista para a AVERA, a coordenadora Cristiane Sarmento falou sobre a relevância do trabalho do coletivo na vida das mães da comunidade LGBTQIAPN+.

Cris Sarmento / Acervo Pessoal

Como surgiu o Coletivo Mães do Arco-Íris e qual foi a principal motivação para sua criação?

Cris Sarmento: O Coletivo Mães do Arco-Íris surgiu em junho de 2018, a partir da necessidade de acolher mães e familiares de pessoas LGBTQIAPN+ que vivenciavam dúvidas, medos, preconceitos e, muitas vezes, a solidão dentro do próprio ambiente familiar e social. A principal motivação foi transformar a dor, a insegurança e as dificuldades enfrentadas pelas famílias em acolhimento, informação e luta coletiva pelos Direitos Humanos. A partir da minha experiência como mãe de uma mulher trans, percebi o quanto muitas famílias precisavam de apoio para compreender e respeitar as identidades de seus filhos, filhas e filhes. O coletivo nasceu justamente para construir essa rede de afeto, escuta e fortalecimento, além de atuar no combate à LGBTfobia e a todas as formas de discriminação.

Qual é a importância do acolhimento às mães e familiares de pessoas LGBTQIAPN+ dentro desse processo de fortalecimento das famílias?

CS: O acolhimento é fundamental porque muitas mães chegam até nós carregando culpa, medo, desinformação e sofrimento. Quando encontram um espaço seguro de escuta e diálogo, elas conseguem compreender melhor as questões relacionadas à diversidade sexual e de gênero e passam a enxergar seus filhos e filhas com mais respeito, amor e empatia. Fortalecer as mães e familiares significa também fortalecer a população LGBTQIAPN+, porque o apoio familiar é essencial para a saúde emocional, para a autoestima e até para a proteção contra violências e exclusões sociais. O acolhimento transforma relações familiares e ajuda a construir ambiente mais seguro e afetivo. O coletivo atua no combate à LGBTfobia, racismo e outros preconceitos.

Quais desafios vocês enfrentam atualmente nessa luta?

CS: Os desafios ainda são muitos. Vivemos em uma sociedade marcada pelo preconceito estrutural, pela violência contra a população LGBTQIAPN+, pelo racismo, machismo e intolerância. Muitas pessoas ainda têm dificuldade em aceitar a diversidade humana, e isso impacta diretamente a vida das famílias e principalmente das pessoas trans, travestis e LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade social. Também enfrentamos dificuldades relacionadas à falta de políticas públicas efetivas, ao acesso à educação, saúde, empregabilidade e segurança alimentar para essa população. Além disso, os ataques às pautas de Direitos Humanos e a disseminação de desinformação acabam fortalecendo discursos de ódio e exclusão. Mesmo diante desses desafios, seguimos resistindo por meio da informação, do acolhimento e da construção coletiva.

Como foi, pessoalmente, transformar a experiência de ser mãe de uma mulher trans em militância e atuação social?

CS: Foi um processo de aprendizado, desconstrução e muito amor. No início, como muitas mães, também enfrentei dúvidas, medos e inseguranças. Mas compreender a identidade da minha filha e perceber as violências que pessoas trans sofrem diariamente me fez entender que eu precisava estar ao lado dela não apenas como mãe, mas também como defensora de direitos. Transformar essa experiência em militância foi uma forma de lutar para que outras mães não passassem sozinhas por esse processo e para que outras pessoas LGBTQIAPN+ tenham dignidade, respeito e oportunidades. A militância nasceu do amor, da necessidade de proteger e também de transformar a sociedade. Muitas famílias ainda têm dificuldade em compreender questões relacionadas à identidade de gênero e orientação sexual.

O que você diria para essas mães?

CS: Eu diria para que elas escutem seus filhos e filhas com o coração aberto. Antes de qualquer julgamento, é importante compreender que estamos falando de vidas, sentimentos e identidades que merecem respeito. Nenhuma mãe perde um filho ou filha por ele ser LGBTQIAPN+, pelo contrário, ela ganha a oportunidade de conhecer verdadeiramente quem aquela pessoa é. Buscar informação, dialogar e participar de espaços de acolhimento pode fazer toda a diferença nesse processo. O amor, o respeito e o apoio familiar salvam vidas. Você acredita que a informação e a educação são os caminhos principais para combater o preconceito? Por quê? Sim, acredito profundamente nisso. O preconceito nasce, muitas vezes, da desinformação, dos estereótipos e da falta de convivência com a diversidade. Quando as pessoas têm acesso à informação, ao diálogo e à educação em Direitos Humanos, elas conseguem desconstruir ideias preconcebidas e desenvolver mais empatia e respeito pelo outro. A educação transforma consciências e ajuda a construir uma sociedade mais justa, inclusiva e humana. Por isso, o coletivo investe tanto em formações, debates e ações educativas em escolas, instituições e comunidades. Informar é também uma forma de proteger vidas e garantir direitos.

Créditos: Acervo Pessoal

Bazar do Coletivo Mães do Arco-íris

O Projeto de arrecadação de roupas, sapatos, móveis, utensílios, alimentos para serem direcionadas as Mães do coletivo e a População LGBT. O bazar se tornou também um ponto de acolhimento, escuta e apoio a pessoas em situação de rua que buscam na pessoa de Salete Lima, mãe responsável pelo bazar, afeto e aconchego.

“As maiores violências que as crias sofrem são dentro de casa. Quando são LGBTs, com certeza sofrem mais ainda! Vejo que o coletivo ajuda muito no processo da criação de laços afetivos. Algumas mães começaram a frequentar pra entender e também aprender a aceitar suas crias. Passaram por momentos difíceis, rompimento com as famílias, pessoas amigas. Sendo assim o Coletivo é um importante ponto de apoio”, afirma Sassá Lima, integrante do coletivo.

O Bazar funciona dias de terças e quintas no Casarão da Diversidade, que fica no Pelourinho, onde acontece também a Campanha do Desapego onde a sociedade pode doar roupas, sapatos e utensílios que não usam mais para o Bazar.  As doações passam por um processo de triagem e depois são expostas nas araras no CPDD da Bahia.

Em entrevista a outra mãe do Coletivo, Maria José Matos, pedagoga, poeta e escritora, ela conta sobre sua experiência com o grupo.

Qual a importância do Coletivo para mães de filhos LGBT?

Zezé Matos: Ele promove o laço, o laço entre mães, filhos e filhas que passam por muita dor, a dor da discriminação, a dor da violência, sabe aquela coisa de suporte, é isso. Um é suporte do outro, então a importância é grande.  Outra coisa, Cris, a coordenadora geral, ela traz pra gente toda a literatura referente a esse universo. Porque existe todo um processo que os meninos, meninas e meninos passam. Não é fácil.

Como o Coletivo chegou a sua vida?

ZM: O coletivo veio para mim num momento muito forte de dor. Inclusive, no coletivo eu pude chorar a perda do meu filho, mas pude também ver a importância de se aquilombar. É isso.

Quais são as conquistas do Coletivo que a senhora percebe?

ZM: As conquistas são muito grandes, o nome social mesmo de muitos dos meninos e meninas da comunidade que são legalizados. Assistência médica, a questão do cuidado com a saúde por conta de hormônios, tem pessoas autoridades no assunto no Coletivo, tem núcleos de formação. Eu fico mais na coisa da poesia, da poesia, da literatura. Como eu sou pedagoga, eu uso a pedagogia para aqueles que têm dificuldade na questão literária, na questão escrita, na questão de produção textual, enfim. A gente tem programado organização de algumas oficinas.

O Coletivo Mães do Arco-íris acolhe todas as mães que procurarem o grupo através das redes sociais, como Instagram (@maesdoarcoiris), Facebook (Mães do Arco-Íris) e E-mail (maesdoarcoiris@gmail.com).

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