Grupo apresenta turnê na Concha Acústica do TCA no último sábado (25)
Por Louise Barboza Valois
Revisão por Maria Fernanda Caribé
Existe um fenômeno raro acontecendo na música brasileira atual, e ele tem nome, sobrenome e um DNA inconfundível: Gilsons. O trio, formado por José, Francisco e João Gil, não carrega apenas o peso de uma das linhagens mais importantes da nossa cultura, mas a responsabilidade de ser a ponte que faltava entre o passado glorioso da MPB e o fone de ouvido de uma geração que respira o digital. No último sábado, o grupo apresentou na Concha Acústica do Teatro Castro Alves em Salvador com a sua turnê “Eu Vejo Luz Tour 26”.
Para quem observa de fora, o som pode parecer apenas “contagiante”, mas para quem sente a música, ele é identidade. Como bem define Bianca, administradora do fã-clube nacional da banda aos 30 anos, o som é um abraço em forma de ritmo. “Apesar de ser um som baiano, ele fala de amor, esperança, conexão e identidade! Para quem já ama MPB, logo se identifica. É um ritmo contagiante que lembra Rachel Reis, Caetano e o próprio Gilberto Gil”, pontua.

O Portal para os Clássicos
Talvez o maior triunfo do grupo seja o que atrai no público mais jovem. Em um cenário dominado pelo trap e pelas batidas aceleradas, os Gilsons funcionam como um portal de entrada para a história da música baiana e brasileira. Malu Moura, de 16 anos, comenta uma reflexão madura sobre esse papel:
“As pessoas da nossa geração são mais ligadas nesses cantores atuais, Matuê, Chefin… e muita gente não conhece Gil, Caetano e Chico Buarque. Os Gilsons têm uma pegada muito atual, misturada com esses outros cantores que iniciaram a cultura e praticamente fundaram a MPB”, explica Malu.
Conforto e Astral
Para além da técnica, existe a emoção. A música dos Gilsons tem uma função quase terapêutica para o público adolescente. Cecília, de 14 anos, revela que o som do trio é o seu refúgio nos dias difíceis: “Quando estou triste, eu gosto de escutar as músicas deles porque levanta meu astral”. É a prova de que a “identidade” citada por Bianca atravessa a barreira da idade e toca no que é essencial.
A Experiência do Olhar de Perto
Viver a experiência Gilsons vai além do palco. O Avera teve a oportunidade de vivenciar a energia dos bastidores, chegando ao camarim e conversando pessoalmente com os integrantes. Ali, percebe-se que a “pegada atual” mencionada por Malu não é fabricada; ela é o reflexo de artistas que entendem o seu tempo, mas que carregam no sorriso e no trato a mesma doçura e profundidade que Gilberto Gil espalhou pelo mundo.
Os Gilsons não estão apenas fazendo música; eles estão garantindo que a cultura brasileira continue sendo um diálogo constante entre o que fomos e o que ainda podemos ser. É axé, é MPB, é Bahia — mas, acima de tudo, é o futuro pedindo passagem.
