Foto: Reprodução redes sociais @granmaitrefilmes
Com intuito de articular parcerias para projetos futuros, produtores, realizadores e distribuidores da Bahia foram ao Marché du Film
Por Rafael Barros
Revisão por Maria Fernanda Caribé
O cinema baiano esteve representado no Festival de Cannes de 2026, realizado entre os dias 12 e 23 de maio, na cidade de Cannes, no Sul da França. Produtores e realizadores da Bahia participaram do Marché du Film, considerado um dos maiores e mais importantes mercados de cinema do mundo, com o objetivo de apresentar projetos, ampliar conexões internacionais e fortalecer a presença do audiovisual baiano no cenário global.
Criado em 1959, o Marché du Film acontece paralelamente ao Festival de Cannes e reúne por ano mais de 15 mil profissionais da indústria cinematográfica, entre produtores, distribuidores, agentes de venda, investidores e realizadores de diversos países. O espaço é conhecido por aproximar projetos de oportunidades de coprodução, financiamento e distribuição internacional.
Entre os representantes baianos presentes no evento esteve o roteirista e diretor Marcos Alexandre, da produtora Gran Maître. Segundo ele, a participação em Cannes busca aproximar o cinema produzido na Bahia de agentes internacionais e abrir caminhos para futuras coproduções e circulação de obras pelo mundo.
“Em Cannes, a gente continua o processo de conexão com o mercado internacional para entender um pouco como funciona com outros países, dialogar com o mercado, apresentar os projetos para compreender como é a recepção dos produtores locais aqui da Europa e de outros países também, porque como é o maior mercado de cinema do mundo, todo mundo está aqui”, explicou.
De acordo com o diretor, o principal objetivo neste momento é construir relações e consolidar estratégias para projetos futuros. Ele reconhece que os negócios no mercado audiovisual internacional acontecem de forma gradual, mas considera fundamental que produtoras baianas ocupem esses espaços.
“Claro que não se fecha nada aqui, mas a gente da Gran Maître entende que é de extrema importância que isso seja perpetuado para que a gente consiga realizar nossos projetos e consiga levar o cinema baiano para um lugar com mais destaque, com mais reconhecimento e com mais força”, disse.
Além da articulação internacional, Marcos Alexandre também defendeu a necessidade de fortalecimento das políticas públicas para o setor audiovisual na Bahia. Para ele, o desenvolvimento do cinema baiano depende de planejamento contínuo, democratização do acesso aos recursos públicos e diálogo entre governo e profissionais do setor. O diretor citou ainda a importância da Bahia Filmes, empresa pública criada pelo Governo da Bahia em 2025, como ferramenta para estruturar o setor audiovisual no estado.
O Brasil por mais um ano vem buscando espaço no mercado internacional, e a presença no Marché du Film se consolidou nas últimas décadas, alcançando um marco histórico em 2025, quando o país foi escolhido País de Honra do evento. Nesse contexto, o cinema baiano também ampliou sua projeção internacional, com produções selecionadas para o mercado francês e crescente participação de realizadores e produtoras do estado em ações de coprodução, distribuição e circulação global, reforçando a Bahia como um dos polos criativos mais relevantes do audiovisual brasileiro contemporâneo.
