Foto por Allan Patrick | Flickr
Entre invisibilidade e falta de investimento, elas estão em campo
Por Bruna Nunes
Revisão por Cauan Pacheco
As mulheres vêm dando um show; mas parece que as luzes estão apagadas. Quem apagou? No Brasil, conhecido popularmente como o país do futebol, 77% dos brasileiros consomem futebol masculino por diversos meios midiáticos (de acordo com a Nexus) e 59% da população afirma não consumir de forma nenhuma o futebol feminino, segundo a CNN Brasil.
Este dado deveria levantar preocupação para todos, pois mais da metade do público não valoriza o espetáculo feminino no mundo da bola. Graças à um pré-conceito de gerações passadas, a permissão da mulher no futebol não é sinônimo de igualdade.
Em 1941, durante o governo do ex-presidente Getúlio Vargas, foi decretada a lei nº 3.199, que proibia diretamente a prática de mulheres no esporte. Esta proibição, feita com motivação irreal, tornou as mulheres daquele tempo alvos do preconceito e de informações inverídicas, que apontava que mulheres eram incompatíveis com esporte; essa frase misógina disfarçada de uma falsa proteção foi desmentida após décadas, porém suas marcas não foram totalmente apagadas da história.
O futebol feminino foi atrasado por anos com a lei retrógrada, que serviu de base para frases machistas como: “futebol não é coisa de mulher”, “elas não entendem nada de futebol”, entre outras. Profissionais seguiram e seguem lutando, provando constantemente que são tão boas quanto eles e que também merecem ser a atração principal.
Tudo no futebol é movido por dinheiro e não seria diferente para as mulheres neste meio. Acontece que a diferença salarial no mercado entre jogadores e jogadoras se torna evidentemente significativa, tendo em vista que a maior parte dos investimentos no esporte vão para o masculino e que a maioria das mídias não protagonizam futebol delas como poderiam.
Apesar disso, o futebol feminino (após 1983) obteve grandes conquistas ao longo dos anos. Em 2019 a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) criou uma regra que obriga todos os times da série A a manterem um time feminino, para poderem participar das competições. Vale destacar que a seleção brasileira feminina vem tendo presença constante ao longo das Copas do Mundo e assim carregando nomes de jogadoras importantes na história mundial do futebol.
Há incentivo mundial, evoluções, porém ainda são vistas nos bastidores; então por que não começar com as jogadoras jogando no mesmo estádio que os jogadores?.
